Decisão · Transferência

Bônus de transferência: quanto ele derruba o custo do milheiro

Brasil · Leitura de 5 minutos

Duas âncoras de latão ligadas por corrente sobre madeira navy fosca, luz âmbar lateral e profundidade de campo curta

Promoções de bônus de transferência aparecem quase toda semana. O programa de pontos do banco anuncia um percentual extra para quem envia saldo ao Smiles, ao Latam Pass ou ao TudoAzul, e o percentual muda a cada rodada.

O anúncio vende o número grande. A decisão depende de duas informações que o número grande não traz: quanto os seus pontos já valiam antes e o que exatamente você vai emitir depois.

Premissa declarada e ilustrativa deste texto: 56.000 pontos parados no programa do banco, com uma alternativa de resgate dentro do próprio programa a R$ 24 o milheiro, valor que circula numa faixa indicativa de R$ 19 a R$ 30 e muda a cada campanha.

O bônus não é desconto, é diluição

Transferir com bonificação não reduz o preço de nada. O bônus aumenta a quantidade de milhas que chega do outro lado com o mesmo custo de origem, e o custo por milheiro cai como consequência.

Os 56.000 pontos da premissa valem R$ 1.344 na alternativa de R$ 24 o milheiro. Transferidos sem bônus, viram 56.000 milhas ao mesmo custo por milheiro de R$ 24.

Com 80% de bonificação, os mesmos R$ 1.344 chegam como 100.800 milhas. O custo cai para R$ 13,33 o milheiro, uma queda de 44%.

O ponto de partida é o valor que os seus pontos já tinham. Quem ignora a alternativa de origem calcula a queda do custo sobre um número inexistente, e chega a uma conclusão que o extrato não confirma depois.

A regra do bônus sobre um mais o bônus

A queda no custo nunca é igual ao percentual anunciado. Ela é o bônus dividido por um mais o bônus, e a distância entre as duas leituras é grande.

  • Bônus de 50%: o custo por milheiro cai 33%.
  • Bônus de 80%: o custo cai 44%, como na nossa premissa.
  • Bônus de 100%: o custo cai pela metade, nunca a zero.
  • Bônus de 200%: o custo cai 67%.

Guarde a fração, não o percentual da chamada. Quem lê 100% de bônus como 100% de desconto superestima o ganho em duas vezes e decide com o número errado na cabeça.

Existe uma leitura mais rápida da mesma fração. Cada degrau acima entrega menos que o anterior: de 100% para 200%, o corte no custo sai de 50% para 67%, um ganho de 17 pontos por uma bonificação que dobrou de tamanho.

O que o ponto perde ao atravessar

Ponto no programa do banco é moeda flexível. Ele pode ir para qualquer parceiro aéreo da lista, para o catálogo de produtos ou para o resgate em crédito, conforme as opções publicadas pelo programa.

Milha dentro do programa aéreo tem um uso dominante: emitir passagem naquela companhia e nas parceiras dela. A lista vigente de parceiras está publicada no site de cada programa e muda a cada renovação de acordo.

A transferência tem via única. Os regulamentos dos programas de pontos não preveem devolução do saldo transferido, e o que atravessou passa a viver sob as regras do programa aéreo, inclusive o prazo de validade descrito no regulamento de destino.

Existe um custo que o extrato nunca mostra: a opção de esperar. Enquanto o saldo fica no programa do banco, qualquer parceiro da lista segue disponível. Depois da transferência, a decisão já está tomada e o resto da lista sai do jogo.

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Transferir sem destino: o erro que o bônus paga para você cometer

A bonificação cria urgência de calendário, porque a promoção tem prazo e a emissão não tem. Quem transfere apenas para não perder o percentual assume três riscos de uma vez.

O primeiro é de inventário: o assento de prêmio pode não existir na data pretendida, e milha sem assento não vira viagem. O segundo é de tabela: a quantidade de milhas exigida numa rota muda por decisão do programa, sem depender de você. O terceiro é de validade: o saldo passa a correr contra o prazo do programa aéreo, e não mais contra o prazo do banco.

A ordem correta inverte o hábito. Escolha a emissão, confira o assento e a quantidade de milhas exigida, calcule quanto falta e só então transfira, com ou sem bonificação no dia.

Um teste simples resolve a dúvida antes de confirmar: se a promoção acabasse hoje, a mesma transferência ainda faria sentido amanhã. Quando a resposta é não, o bônus está decidindo no seu lugar.

Veredicto: o bônus qualifica a emissão, não a substitui

Com a emissão escolhida e o assento na tela, um bônus de 80% na nossa premissa leva o custo de R$ 24 para R$ 13,33 o milheiro. Se a emissão-alvo devolve mais que R$ 13,33 por milheiro, a conta fecha, e fecha com folga larga.

Sem destino definido, o mesmo percentual apenas troca uma moeda flexível por uma moeda presa, com prazo correndo. A conta não fecha por mais alto que seja o bônus, porque o valor final depende de uma emissão que ainda não existe.

Confira o percentual vigente e as condições na página oficial de transferências do programa, que as duas coisas mudam a cada rodada. Nós calculamos. Você decide.

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