Decisão · Compra
Comprar milhas Azul: o bônus mínimo que faz a compra valer
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
Comprar pontos com bonificação é a via mais rápida para completar um saldo. O programa da Azul, como os demais grandes programas brasileiros, vende pontos direto ao titular e anuncia bônus que mudam de uma semana para a outra.
A pergunta que decide o caso não é o tamanho do bônus, e sim se o ponto comprado sai mais barato que a passagem em dinheiro que você compraria de qualquer jeito.
Premissa declarada e ilustrativa deste texto: uma ida e volta doméstica vendida a R$ 2.480 em dinheiro, com R$ 96 de taxa de embarque, e a mesma viagem emitida no programa por 68.000 pontos mais a mesma taxa.
Dois preços na mesa e um resultado só
O ponto comprado tem preço de tabela, publicado na página de compra do programa e alterado com frequência. A faixa indicativa dos grandes programas brasileiros circula entre R$ 35 e R$ 85 o milheiro antes de qualquer bonificação, e o valor do dia está sempre na própria página.
O bônus derruba o preço porque você paga por uma quantidade e recebe outra. Com 100% de bonificação, você compra 34.000 pontos e recebe 68.000. O desembolso não muda, o saldo dobra.
Tome R$ 62 o milheiro de tabela, no meio da faixa. Comprar os 34.000 pontos custa R$ 2.108, e o milheiro efetivamente comprado sai por R$ 31.
O programa vende em pacotes, e o preço por milheiro costuma cair conforme o pacote cresce. Confira o valor de cada pacote na tela antes de escolher, porque a distância entre o menor e o maior muda a conta inteira.
A emissão da premissa vale R$ 35,06 o milheiro
Do outro lado está a passagem. Tire a taxa da tarifa, porque a taxa você paga nas duas hipóteses, e divida os R$ 2.384 restantes pelos 68.000 pontos: o milheiro da emissão vale R$ 35,06.
A comparação fica direta. Comprado a R$ 31 e usado numa emissão que vale R$ 35,06, cada milheiro devolve R$ 4,06 de margem. Em 68.000 pontos, são R$ 276 de economia sobre a passagem à vista.
Em percentual, 11% abaixo do preço em dinheiro. A margem existe, e ela é fina o bastante para desaparecer com uma queda de tarifa na mesma rota.
Repare no que a comparação exige. Você precisa de uma passagem concreta, com data, voo e quantidade de pontos na tela, porque o milheiro da emissão não existe em abstrato. Sem a passagem na frente, a compra vira aposta.
O piso do bônus fica perto de 77%
Inverta a conta para achar o ponto de equilíbrio. Com o milheiro de tabela a R$ 62, o desembolso máximo tolerável é R$ 2.384, e essa quantia compra 38.452 pontos sem nenhuma bonificação.
Para transformar 38.452 pontos em 68.000, o bônus precisa alcançar 77%. Abaixo desse piso, na nossa premissa, o ponto comprado custa mais que a passagem em dinheiro.
O piso não é universal. Ele sobe quando o preço de tabela sobe e desce quando a emissão-alvo rende milheiro mais alto. Refaça a conta com a sua rota antes de aceitar qualquer percentual anunciado.
O mesmo raciocínio compara duas ofertas de pacotes diferentes. Calcule o milheiro efetivo de cada uma, ou seja, o desembolso dividido pelos pontos que entram na conta, e leve ao lado do milheiro da sua emissão. O maior percentual anunciado nem sempre entrega o menor milheiro.
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Quando a compra vira antecipação de prejuízo
Três situações transformam a compra num gasto sem retorno, e nenhuma delas aparece no anúncio da bonificação.
- Compra sem destino definido. O ponto entra na conta, a tarifa em dinheiro cai nos meses seguintes e o saldo comprado a R$ 31 o milheiro passa a valer menos que a passagem à vista.
- Compra antes de conferir o assento de prêmio. Os programas trabalham com inventário limitado por voo e por data, conforme os regulamentos publicados. Saldo cheio sem assento disponível não vira viagem.
- Compra para segurar validade. Os pontos têm prazo de expiração descrito no regulamento de cada programa, e comprar mais para adiar o vencimento troca um prejuízo pequeno por um maior.
Some ainda o prazo de crédito dos pontos. Os regulamentos descrevem o tempo entre o pagamento e a liberação do saldo, e uma emissão com data apertada pode esbarrar justamente nesse intervalo.
O ponto comprado tem via única. Os regulamentos dos grandes programas brasileiros vedam a comercialização de milhas, então não existe revenda legítima para desfazer a compra.
Veredicto: você compra uma passagem, não um saldo
Com destino escolhido, assento de prêmio confirmado na tela e bonificação acima do piso da sua rota, a conta fecha: R$ 2.204 desembolsados contra R$ 2.480 de tarifa, na nossa premissa.
Sem data definida, sem assento conferido ou com bônus abaixo dos 77% do nosso exemplo, a conta não fecha, e o saldo comprado vira dinheiro parado numa moeda que só o programa emite e só o programa aceita.
Confira o preço de tabela do dia, o percentual vigente e a disponibilidade de assento na mesma sessão, antes de pagar. Nós calculamos. Você decide.
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