Decisão · Comparativo

Programa de milhas: qual deles serve o seu perfil de viagem

Brasil · Leitura de 5 minutos

Três bússolas de latão lado a lado sobre mapa dobrado em mesa navy fosca, luz âmbar quente de um lado e fundo em névoa azulada

Programa de milhas se escolhe por encaixe, não por marca. O encaixe sai do cruzamento entre o jeito que você viaja e três critérios que quase nunca aparecem na comparação: rede de parceiros, custo de emissão e validade do saldo.

Smiles, Latam Pass e TudoAzul operam sob regulamentos públicos, e os três diferem em cada um dos critérios. Nós comparamos critério a critério e depois encaixamos os perfis, sem eleger vencedor.

Premissa declarada e ilustrativa deste texto: R$ 6.500 de gasto mensal num cartão que credita 0,3 ponto por real, o que dá 23.400 pontos por ano, contra uma emissão-alvo de 65.000 milhas.

Três critérios decidem, e ranking não é um deles

Ranking de programa envelhece em semanas, porque tabela de resgate, bonificação e parceria mudam por decisão da companhia. Critério envelhece devagar, e serve de base justamente por durar.

Os três que importam: para onde o saldo consegue voar, quanto custa transformar saldo em bilhete e quanto tempo o saldo sobrevive parado. Qualquer comparação que ignore os três compara marketing.

Cada perfil é dominado por um critério diferente. Quem voa muito sente o custo de emissão, quem viaja longe sente a rede de parceiros, quem acumula sem voar sente a validade.

Rede de parceiros: aliança global contra acordo bilateral

Um programa ligado a uma aliança global oferece resgate no quadro inteiro de companhias associadas, publicado pela própria aliança. Um programa que trabalha por acordos bilaterais concentra as opções nas empresas com quem assinou contrato.

A diferença é de registro público. A Latam anunciou em 2020 a saída da aliança Oneworld, em comunicado da própria companhia, e passou a operar por acordos bilaterais. Gol e Azul não figuram nos quadros de associadas das três grandes alianças globais, também publicados por elas.

Na prática, a rede se lê de trás para frente: liste os destinos que você quer nos próximos dois anos e confira quais deles aparecem na lista de parceiras vigente de cada programa.

Custo de emissão e validade: os dois números do rodapé

Além da taxa de embarque, alguns programas cobram taxa própria de emissão por bilhete, que vai de zero a algumas dezenas de reais conforme o programa, o canal e a categoria do cliente. O valor vigente está na tabela publicada por cada um.

A validade segue a mesma lógica. Os prazos costumam variar de 12 a 36 meses, e assinaturas de clube costumam suspender a expiração enquanto ativas. A faixa é indicativa e o prazo vigente está no regulamento.

Os dois números parecem pequenos e não são. Duas emissões por ano com taxa de R$ 55 custam R$ 110 fora da tarifa, e um saldo vencido custa 100% do que você acumulou.

Voo doméstico frequente: a malha pesa mais que a rede

Quem voa toda semana acumula pela companhia que atende os aeroportos da rotina, e a escolha se resolve antes de qualquer tabela. Malha ruim não se compensa com programa bom.

Nesse perfil, o crédito por trecho depende da família tarifária e da categoria de cliente, ambas descritas no regulamento do programa. O volume de emissões por ano transforma a taxa de emissão no critério que mais dói.

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Internacional esporádico: a parceria decide a emissão

Quem viaja para fora a cada um ou dois anos acumula devagar e emite alto. O saldo tem que alcançar uma rota longa, então a lista de parceiras vale mais que qualquer outro critério.

O caminho comum nesse perfil não é acumular direto no programa aéreo, e sim acumular no programa de pontos do banco e escolher o destino da transferência quando a viagem estiver definida. A flexibilidade de escolher depois é o ativo.

A validade também pesa, porque o saldo fica parado por muitos meses. Confira o prazo do programa de origem e o do destino antes de decidir onde o saldo espera.

Acúmulo por cartão sem voar: 23.400 pontos contra o relógio

Volte à premissa. A R$ 6.500 por mês e 0,3 ponto por real, o acúmulo chega a 23.400 pontos por ano, e a emissão-alvo de 65.000 milhas exige quase três anos de gasto.

Agora cruze com a validade. Se o prazo do programa fica na ponta baixa da faixa de 12 a 36 meses, os pontos do primeiro ano vencem antes de a emissão acontecer. O critério que decide esse perfil é a validade, e nem a rede nem a taxa entram na conversa.

Duas saídas cabem: acumular no programa de pontos do banco, cujo prazo costuma ser mais longo, ou assinar um clube que suspenda a expiração enquanto ativo, somando a mensalidade ao custo do saldo.

Veredicto: escolha o critério, o programa vem depois

Para quem voa doméstico com frequência, a conta fecha no programa da companhia que domina a sua malha, com a taxa de emissão como desempate entre duas opções parecidas.

Para quem acumula por cartão sem voar e mira 65.000 milhas com 23.400 pontos por ano, a conta não fecha dentro de um programa aéreo de validade curta: o saldo vence antes da viagem.

Escolha o critério dominante do seu perfil, leia a regra vigente no regulamento dos dois ou três programas candidatos e decida com a lista na frente. Nós calculamos. Você decide.

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