Decisão · Cartão

Cartão Smiles: de qual gasto mensal a anuidade começa a se pagar

Brasil · Leitura de 5 minutos

Mala de viagem fechada em couro escuro sobre piso azul profundo, luz âmbar quente entrando por uma janela lateral

Cartão com a marca de uma companhia aérea vende uma ideia confortável: o gasto do mês vira milha direto no programa que você já usa, sem etapa intermediária.

A ideia funciona, e ela tem um preço fixo chamado anuidade. A anuidade é cobrada também nos meses em que você gasta pouco, e é ela que separa o cartão que compensa do cartão que só parece compensar.

Nós montamos a conta anual completa: custo de um lado, pontos do outro, e o gasto mensal exato em que os dois lados se encontram.

O que o cartão de marca compartilhada entrega

Um cartão co-branded é oferecido por um banco em parceria com o programa de fidelidade e leva a marca dos dois. O Smiles é o programa de fidelidade da Gol, e os cartões com a marca do programa são oferecidos por bancos parceiros, cada um com a sua régua. A diferença prática para um cartão comum está no destino do ponto: ele cai direto no programa aéreo, sem etapa de transferência e sem depender de campanha de bônus.

A contrapartida está na flexibilidade. Ponto que nasce dentro do programa aéreo fica preso àquele programa. Cartão que pontua em programa de banco permite escolher o destino no dia da emissão, e escolher destino é o que deixa você comparar tabelas de resgate antes de gastar o saldo.

As condições variam por banco, por versão do cartão e por período. A regra vigente de pontuação, anuidade e benefício está no contrato publicado no site do banco que oferece o produto, e é ela que vale contra qualquer resumo de terceiro.

A anuidade em pontos: quanto você precisa acumular no ano

Premissa declarada e ilustrativa, porque anuidade muda por versão, por promoção de adesão e por negociação de retenção: R$ 780 de anuidade no ano, cartão que pontua 1,8 ponto por dólar, dólar de conversão a R$ 5,60 e o milheiro avaliado em R$ 30 pela emissão que você faria de qualquer maneira.

A primeira conta traduz o custo em pontos: R$ 780 divididos por R$ 30 o milheiro dão 26.000 pontos por ano. Abaixo desse volume, o cartão custa mais do que devolve.

A anuidade dos cartões de milhas circula numa faixa larga, e a faixa se move ao longo do ano. Confira o valor vigente no contrato do seu produto antes de rodar a conta com o seu número.

O gasto mensal que zera a anuidade

26.000 pontos a 1,8 ponto por dólar exigem 14.444 dólares de compras no ano. Convertidos a R$ 5,60, são cerca de R$ 80.900 por ano, ou R$ 6.740 por mês.

O número é a fronteira. Quem passa perto de R$ 6.700 por mês no cartão sai empatado: os pontos do ano cobrem a anuidade e sobra pouco. Quem gasta R$ 3.000 por mês acumula cerca de 11.600 pontos no ano, valor de R$ 348, e paga R$ 780 para acumulá-los.

Refaça a fronteira com a sua realidade em três entradas: o total gasto no cartão nos últimos doze meses, a régua de pontuação do seu contrato e o valor de milheiro da emissão que você realmente faz.

A newsletter Farol das Milhas está em preparação

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.

Quando o cartão sem anuidade ganha

Cartão sem anuidade costuma pontuar menos, em geral numa faixa indicativa de 0 a 1 ponto por dólar, conforme o produto e o período. Com 0,8 ponto por dólar e custo zero, o retorno é pequeno, e ele é limpo.

O cruzamento entre os dois cartões acontece bem acima da fronteira anterior. Na nossa premissa, o cartão de R$ 780 só supera o cartão sem anuidade a partir de cerca de R$ 12.100 por mês de gasto. Abaixo desse patamar, a pontuação maior não paga a diferença de custo.

Entre R$ 6.700 e R$ 12.100 por mês existe uma zona cinzenta. O cartão pago cobre a própria anuidade, mas ainda rende menos que o sem anuidade. É a faixa em que a decisão passa a depender dos benefícios, e não mais do ponto.

Sala VIP e seguro: valor que só existe se você usa

Benefício não vale o que o material do banco diz, vale o que você consome. Acesso a sala de espera, seguro de viagem, franquia de bagagem e prioridade de embarque entram na conta multiplicados pelo número de vezes que você usou cada um no último ano.

Quem voa uma vez por ano e passa quarenta minutos no aeroporto não converte acesso a sala em dinheiro. Quem voa toda semana converte, e o mesmo benefício muda de lado na planilha.

Some ao lado do valor apenas os benefícios com uso comprovado no seu histórico, e confira a cobertura vigente no contrato: escopo de seguro e regra de acesso mudam por versão de cartão e por parceiro.

Veredicto: R$ 6.700 por mês é a primeira fronteira

Com gasto mensal abaixo de R$ 6.700 na nossa premissa, a conta não fecha: a anuidade de R$ 780 supera os pontos gerados no ano, e um cartão sem anuidade entrega mais com custo zero.

Acima de R$ 12.100 por mês, a pontuação maior paga a anuidade e ainda passa à frente do cartão sem custo. No meio da faixa, o desempate vem dos benefícios que você usa de fato, contados um a um em reais.

Refaça as três entradas com o seu contrato: pontuação por dólar, anuidade vigente e valor de milheiro da sua emissão. Nós calculamos. Você decide.

Farol das Milhas está chegando

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.