Decisão · Cartão
Cartão Smiles: de qual gasto mensal a anuidade começa a se pagar
Por Redação Farol das Milhas · Brasil · Leitura de 11 minutos

Neste artigo
- O que o cartão de marca compartilhada entrega
- A anuidade em pontos: quanto você precisa acumular no ano
- O gasto mensal que zera a anuidade
- Quando o cartão sem anuidade ganha
- Sala VIP e seguro: valor que só existe se você usa
- Marca compartilhada contra cartão de banco, linha a linha
- O cartão abre porta para categoria?
- Isenção e retenção: o custo real da anuidade
- Veredicto: R$ 6.700 por mês é a primeira fronteira
- Perguntas frequentes
Cartão com a marca de uma companhia aérea vende uma ideia confortável: o gasto do mês vira milha direto no programa que você já usa, sem etapa intermediária.
A ideia funciona, e ela tem um preço fixo chamado anuidade. A anuidade é cobrada também nos meses em que você gasta pouco, e é ela que separa o cartão que compensa do cartão que só parece compensar.
Nós montamos a conta anual completa: custo de um lado, pontos do outro, e o gasto mensal exato em que os dois lados se encontram.
O que o cartão de marca compartilhada entrega
Um cartão co-branded é oferecido por um banco em parceria com o programa de fidelidade e leva a marca dos dois. O Smiles é o programa de fidelidade da Gol, e os cartões com a marca do programa são oferecidos por bancos parceiros, cada um com a sua régua. A diferença prática para um cartão comum está no destino do ponto: ele cai direto no programa aéreo, sem etapa de transferência e sem depender de campanha de bônus.
A contrapartida está na flexibilidade. Ponto que nasce dentro do programa aéreo fica preso àquele programa. Cartão que pontua em programa de banco permite escolher o destino no dia da emissão, e escolher destino é o que deixa você comparar tabelas de resgate antes de gastar o saldo.
As condições variam por banco, por versão do cartão e por período. A regra vigente de pontuação, anuidade e benefício está no contrato publicado no site do banco que oferece o produto, e é ela que vale contra qualquer resumo de terceiro.
A anuidade em pontos: quanto você precisa acumular no ano
Premissa declarada e ilustrativa, porque anuidade muda por versão, por promoção de adesão e por negociação de retenção: R$ 780 de anuidade no ano, cartão que pontua 1,8 ponto por dólar, dólar de conversão a R$ 5,60 e o milheiro avaliado em R$ 30 pela emissão que você faria de qualquer maneira.
A primeira conta traduz o custo em pontos: R$ 780 divididos por R$ 30 o milheiro dão 26.000 pontos por ano. Abaixo desse volume, o cartão custa mais do que devolve.
A anuidade dos cartões de milhas circula numa faixa larga, e a faixa se move ao longo do ano. Confira o valor vigente no contrato do seu produto antes de rodar a conta com o seu número.
O gasto mensal que zera a anuidade
26.000 pontos a 1,8 ponto por dólar exigem 14.444 dólares de compras no ano. Convertidos a R$ 5,60, são cerca de R$ 80.900 por ano, ou R$ 6.740 por mês.
O número é a fronteira. Quem passa perto de R$ 6.700 por mês no cartão sai empatado: os pontos do ano cobrem a anuidade e sobra pouco. Quem gasta R$ 3.000 por mês acumula cerca de 11.600 pontos no ano, valor de R$ 348, e paga R$ 780 para acumulá-los.
Refaça a fronteira com a sua realidade em três entradas: o total gasto no cartão nos últimos doze meses, a régua de pontuação do seu contrato e o valor de milheiro da emissão que você realmente faz.
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Quando o cartão sem anuidade ganha
Cartão sem anuidade costuma pontuar menos, em geral numa faixa indicativa de 0 a 1 ponto por dólar, conforme o produto e o período. Com 0,8 ponto por dólar e custo zero, o retorno é pequeno, e ele é limpo.
O cruzamento entre os dois cartões acontece bem acima da fronteira anterior. Na nossa premissa, o cartão de R$ 780 só supera o cartão sem anuidade a partir de cerca de R$ 12.100 por mês de gasto. Abaixo desse patamar, a pontuação maior não paga a diferença de custo.
Entre R$ 6.700 e R$ 12.100 por mês existe uma zona cinzenta. O cartão pago cobre a própria anuidade, mas ainda rende menos que o sem anuidade. É a faixa em que a decisão passa a depender dos benefícios, e não mais do ponto.
Sala VIP e seguro: valor que só existe se você usa
Benefício não vale o que o material do banco diz, vale o que você consome. Acesso a sala de espera, seguro de viagem, franquia de bagagem e prioridade de embarque entram na conta multiplicados pelo número de vezes que você usou cada um no último ano.
Quem voa uma vez por ano e passa quarenta minutos no aeroporto não converte acesso a sala em dinheiro. Quem voa toda semana converte, e o mesmo benefício muda de lado na planilha.
Some ao lado do valor apenas os benefícios com uso comprovado no seu histórico, e confira a cobertura vigente no contrato: escopo de seguro e regra de acesso mudam por versão de cartão e por parceiro.
Marca compartilhada contra cartão de banco, linha a linha
A escolha entre pontuar direto no programa aéreo e pontuar num programa de banco se resolve em quatro linhas, e cada uma favorece um lado.
A primeira linha é a velocidade. O cartão de marca compartilhada credita direto no programa aéreo, sem etapa de transferência e sem esperar campanha. Quem precisa emitir logo ganha tempo, e tempo às vezes vale mais que percentual.
A segunda é o multiplicador. O cartão de banco tem acesso à bonificação de transferência, que pode dobrar o saldo que chega ao destino. Um cartão de banco com pontuação menor e bônus de 100% costuma bater um cartão de marca compartilhada com pontuação maior e nenhum multiplicador. A conta que decide é o milheiro final no programa aéreo, e não a pontuação por dólar da propaganda.
A terceira é a flexibilidade. Ponto de banco escolhe o destino no dia da emissão, o que permite comparar tabelas de resgate de dois ou três programas antes de gastar o saldo. Ponto que já nasceu dentro do programa aéreo não muda de lado se a tabela daquela companhia piorar na sua rota.
A quarta é o benefício acessório. Cartões de marca compartilhada costumam trazer vantagens ligadas à companhia, como franquia de bagagem, prioridade de embarque ou desconto em emissões, e esses itens só valem para quem voa naquela companhia com regularidade.
O resumo prático: quem voa quase sempre pela mesma companhia e emite com frequência tende a ganhar com a marca compartilhada; quem viaja pouco, ou muda de companhia conforme o preço, ganha com a flexibilidade e o multiplicador do cartão de banco.
O cartão abre porta para categoria?
A escada de categorias de um programa é alimentada por uma contagem paralela de qualificação, quase sempre ligada a voo. É a razão pela qual cartão premium entrega saldo e não entrega degrau.
Parte dos cartões de marca compartilhada, porém, oferece uma exceção parcial: crédito de pontos qualificáveis por faixa de gasto, categoria de entrada concedida na adesão ou aceleração da contagem durante o primeiro ano. Quando existe, o benefício vem escrito no contrato do produto, com valor de gasto e prazo definidos.
Antes de contratar por esse motivo, três verificações. Confirme se o benefício é permanente ou apenas de boas-vindas, porque categoria concedida por doze meses vira nada no décimo terceiro. Confirme quanto de gasto é exigido para o crédito de qualificação, e compare com o custo de um voo adicional, que às vezes sai mais barato. E confirme quais benefícios da categoria você usaria de fato, porque prioridade de fila e franquia de bagagem valem para quem passa pelo aeroporto com frequência.
Para quem voa três vezes por ano, comprar bagagem avulsa costuma custar menos que sustentar uma anuidade em busca de degrau.
Isenção e retenção: o custo real da anuidade
A anuidade é a variável mais pesada da conta, e o valor de tabela raramente é o valor final.
Quatro caminhos aparecem nos contratos. O primeiro é a isenção por volume de investimento na instituição, que precisa ser avaliada pelo custo de oportunidade: se o dinheiro exigido rende menos onde ele precisa ficar, a diferença é o preço real da anuidade dita isenta. O segundo é o desconto por gasto mínimo mensal, que reduz o custo e cria incentivo a gastar mais, o que costuma sair caro. O terceiro é a negociação de retenção no pedido de cancelamento, que precisa ser confirmada por escrito e com prazo. O quarto são condições de adesão, como isenção do primeiro ano, que devem ser tratadas como desconto temporário e não como preço.
Refaça a fronteira depois de fixar o custo real. Com anuidade zero, o cartão de R$ 780 da nossa premissa passa a vencer o sem anuidade em qualquer faixa de gasto, e a conversa muda por completo. Com anuidade cheia, a fronteira de R$ 6.700 por mês continua valendo, e ela é o número que decide.
Veredicto: R$ 6.700 por mês é a primeira fronteira
Com gasto mensal abaixo de R$ 6.700 na nossa premissa, a conta não fecha: a anuidade de R$ 780 supera os pontos gerados no ano, e um cartão sem anuidade entrega mais com custo zero.
Acima de R$ 12.100 por mês, a pontuação maior paga a anuidade e ainda passa à frente do cartão sem custo. No meio da faixa, o desempate vem dos benefícios que você usa de fato, contados um a um em reais.
Refaça as três entradas com o seu contrato: pontuação por dólar, anuidade vigente e valor de milheiro da sua emissão. Nós calculamos. Você decide.
Perguntas frequentes
A partir de quanto de gasto o cartão de milhas compensa?
Na premissa deste texto, a anuidade de R$ 780 equivale a 26.000 pontos por ano, o que exige cerca de R$ 6.740 por mês de fatura para empatar. Abaixo dessa fronteira, a conta não fecha, e um cartão sem anuidade entrega mais com custo zero.
Cartão de companhia aérea é melhor que cartão de banco?
Depende do perfil. A marca compartilhada credita direto no programa aéreo, sem esperar campanha, e traz benefícios ligados à companhia. O cartão de banco dá acesso à bonificação de transferência e preserva a escolha do destino até o dia da emissão. Quem voa sempre pela mesma companhia tende a ganhar com o primeiro.
Quantos pontos por ano preciso para pagar a anuidade?
Divida a anuidade pelo valor do seu milheiro. Com R$ 780 e milheiro a R$ 30, são 26.000 pontos por ano. É a tradução que transforma um custo em reais numa meta de acúmulo, e ela costuma revelar que o produto exige muito mais gasto do que a intuição sugeria.
O cartão ajuda a subir de categoria no programa?
Em regra a categoria depende da contagem de qualificação, alimentada por voo. Parte dos cartões de marca compartilhada oferece exceções, como crédito de pontos qualificáveis por faixa de gasto ou categoria de boas-vindas. Confirme no contrato se o benefício é permanente ou apenas do primeiro ano.
Vale a pena pagar anuidade por sala de espera?
Só se você usou o benefício no último ano. O método conta cada vantagem pelo número de vezes consumido, multiplicado pelo que você pagaria por ela separadamente. Quem voa uma vez por ano não converte acesso a sala em dinheiro, por mais destaque que o item tenha no material do banco.
Dá para conseguir isenção de anuidade?
Costuma dar, por quatro caminhos: volume de investimento na instituição, gasto mínimo mensal, negociação de retenção no pedido de cancelamento e condições de adesão. Confirme por escrito e com prazo, e refaça a conta: com anuidade zero, o cartão pago passa a vencer em qualquer faixa de gasto.
Pontos do cartão de companhia aérea expiram?
Expiram conforme o regulamento do programa aéreo, e não conforme as regras do banco. É uma diferença relevante em relação ao cartão que pontua em programa de banco, cujo prazo costuma ser mais longo, porque o saldo passa a correr contra o relógio do destino assim que é creditado.
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