Decisão · Cartão
Melhor cartão para milhas: o método das quatro variáveis
Brasil · Leitura de 6 minutos

Neste artigo
Cartão de milhas não tem campeão absoluto. Existe o cartão certo para um extrato específico, e o produto que rende bem para quem gasta alto todo mês destrói valor para quem gasta um terço.
A comparação que circula em ranking costuma olhar uma variável só, quase sempre a pontuação por dólar. Quatro variáveis decidem o resultado, e três delas dependem de você, não do cartão.
Nós montamos o método e rodamos em dois perfis opostos, com as mesmas premissas nos dois lados.
Variável 1: quantos pontos cada real da fatura gera
A pontuação é anunciada por dólar e a sua fatura é em real. A conversão é o primeiro passo do método: divida os pontos por dólar pelo dólar de conversão previsto no contrato e você tem pontos por real.
Premissa declarada e ilustrativa para o artigo inteiro: dólar de conversão a R$ 5,15 e o milheiro avaliado em R$ 26, valor que sai de uma emissão doméstica comum. Refaça com a sua rota, porque o valor do milheiro é pessoal.
Os dois cartões da comparação: o cartão sem anuidade pontua 1,0 ponto por dólar e não cobra nada; o cartão pago pontua 2,4 pontos por dólar e cobra R$ 1.240 por ano. A pontuação praticada no mercado brasileiro vive numa faixa ampla, a faixa se move, e a régua exata do seu produto está no contrato publicado pelo banco.
Variável 2: a anuidade traduzida em pontos por ano
Anuidade é custo certo e ponto é benefício provável. Para comparar os dois na mesma unidade, divida a anuidade pelo valor do seu milheiro: R$ 1.240 divididos por R$ 26 dão 47.700 pontos por ano apenas para empatar.
O tamanho do número costuma surpreender quem nunca fez a conta, e explica por que a anuidade é a variável mais pesada do método. Ela é cobrada com gasto alto e com gasto baixo, sem proporcionalidade nenhuma.
Considere as isenções antes de cravar o custo. Parte dos bancos reduz ou dispensa a anuidade por volume de investimento, por gasto mínimo mensal ou por acordo de retenção, e a regra vigente está no contrato do seu produto.
Variável 3: o benefício que entra na conta é o que você usa
Liste os benefícios do cartão e risque todos que você não usou nos últimos doze meses. O que sobrar recebe um valor em reais equivalente ao que você pagaria por ele separadamente.
Sala de espera usada quatro vezes no ano tem valor. Sala de espera que você nunca acessou vale zero, mesmo aparecendo em destaque no material do banco. Seguro de viagem entra na conta apenas se você deixou de contratar um seguro por causa dele.
O resultado da etapa é um número em reais que entra do lado do benefício e reduz o peso da anuidade na comparação.
Variável 4: para onde o ponto pode sair
Ponto preso vale menos que ponto livre. Um cartão que pontua em programa de banco com vários parceiros aéreos permite escolher o destino no dia da emissão, comparando as tabelas de resgate de cada programa.
Um cartão que deposita direto num único programa aéreo elimina uma etapa e fixa o destino. Se a tabela daquele programa piorar na sua rota, o saldo não muda de lado.
Considere ainda o bônus de transferência, que existe apenas no primeiro caminho. Percentual, prazo e teto variam por campanha e estão no regulamento publicado pelo programa, sempre como faixa que se move.
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Perfil A: R$ 3.200 por mês
Gasto anual de R$ 38.400, ou 7.456 dólares na nossa premissa. No cartão sem anuidade, 7.456 pontos no ano, valor de R$ 194, sem custo nenhum do outro lado.
No cartão pago, 17.895 pontos, valor de R$ 465, contra R$ 1.240 de anuidade: resultado negativo de R$ 775 no ano.
A distância entre os dois passa de R$ 960 em favor do cartão sem anuidade. Nenhum benefício de material publicitário cobre a diferença para quem voa pouco, e é justamente o perfil que mais compra cartão premium por indicação de ranking.
Perfil B: R$ 18.000 por mês
Gasto anual de R$ 216.000, ou 41.942 dólares. No cartão sem anuidade, 41.942 pontos, valor de R$ 1.090.
No cartão pago, 100.660 pontos, valor de R$ 2.617, menos a anuidade de R$ 1.240: sobram R$ 1.377. A vantagem do cartão pago é de cerca de R$ 287 no ano, antes de contar os benefícios usados.
O ponto de cruzamento entre os dois produtos, com as nossas premissas, fica perto de R$ 14.600 de gasto mensal. Abaixo desse patamar o cartão sem anuidade ganha, acima dele o pago assume a frente.
Veredicto: o cartão certo está no seu extrato
Rode o método com o seu número: gasto real dos últimos doze meses, pontuação do contrato, anuidade vigente e benefícios efetivamente usados. Quatro entradas, quinze minutos, uma decisão que dura anos.
Com R$ 3.200 por mês, a conta não fecha para o cartão pago da nossa premissa: R$ 775 negativos no ano contra R$ 194 positivos do sem anuidade. Com R$ 18.000 por mês a ordem se inverte, e a margem continua estreita, R$ 287 em doze meses.
A margem estreita é a mensagem principal. A diferença entre o melhor e o pior cartão para o seu extrato é menor que a diferença entre gastar e não gastar. Nós calculamos. Você decide.
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