Decisão · Explicador
Como acumular milhas: as quatro fontes e quanto cada uma rende
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
- A régua: valor creditado dividido pelo real gasto
- Parceiro de compra: perto de 19%, com uma armadilha de preço
- Voo: cerca de 6% da tarifa, e a família tarifária manda
- Programa de pontos de banco: o mesmo gasto valendo o dobro
- Cartão de crédito: 1,16% e a anuidade que exige R$ 60 mil por ano
- Veredicto: comece pela ponta que ninguém divulga
Acumular milha parece uma atividade só, e são quatro fontes distintas. Voo, cartão de crédito, programa de pontos de banco e parceiro de compra creditam pontos por lógicas diferentes, com retornos que vão de cerca de 1% a quase 20% do valor gasto.
Nós medimos as quatro com a mesma régua: quanto de valor em milha cada real gasto devolve. A régua precisa de uma referência, e a referência vem da emissão que você faria de verdade.
Premissa declarada e ilustrativa deste texto: um milheiro que vale R$ 32 na emissão pretendida, R$ 4.200 de gasto mensal no cartão e o dólar de referência a R$ 5,50, valor que você troca pela cotação do dia.
A régua: valor creditado dividido pelo real gasto
Uma fonte de acúmulo só existe em comparação com outra. Converta o crédito de cada uma em reais pelo milheiro da sua emissão e divida pelo gasto que gerou o crédito.
Com o milheiro a R$ 32, mil pontos valem R$ 32 e um ponto vale R$ 0,032. Cada fonte vira então um percentual do gasto, e os quatro percentuais ficam na mesma escala.
A ordem que encontramos contraria a ordem da popularidade: parceiro de compra primeiro, voo em seguida, programa de pontos de banco em terceiro e cartão de crédito por último.
A inversão tem explicação simples. As fontes que mais rendem por real dependem de um gasto que você já faria de qualquer forma, e a que menos rende depende de um produto que cobra para existir. Volume alto e retorno alto quase nunca moram na mesma fonte.
Parceiro de compra: perto de 19%, com uma armadilha de preço
Os programas mantêm uma vitrine de lojas parceiras que creditam pontos por real gasto. A multiplicação é agressiva: a faixa indicativa vai de 2 a 10 pontos por real, muda por loja e por período, e a regra vigente aparece na própria página da parceria.
Tome 6 pontos por real numa compra de R$ 800. São 4.800 pontos, ou R$ 153,60 pela nossa régua, o que dá 19,2% do gasto. Nenhuma outra fonte chega perto.
A armadilha mora no preço da loja. Se a parceira cobra 10% a mais que a concorrente, os R$ 80 de sobrepreço derrubam o retorno para 9,2%. Compare o preço final antes de olhar para o multiplicador.
Voo: cerca de 6% da tarifa, e a família tarifária manda
Voar credita pontos, e o crédito depende da família tarifária comprada, não apenas do valor pago. Tarifa promocional credita pouco, tarifa flexível credita mais, e cada programa publica a tabela de acúmulo no próprio regulamento.
Numa faixa indicativa de 1 a 4 pontos por real da tarifa, use 2 como referência. Um trecho de R$ 680 credita 1.360 pontos, ou R$ 43,52, perto de 6,4% da tarifa.
O percentual é bom e o volume é pequeno. Quem voa quatro vezes por ano acumula em voo menos do que gasta no cartão em um único mês.
Vale conferir a tabela antes de comprar a passagem. A diferença entre duas famílias tarifárias na mesma poltrona pode dobrar o crédito por um acréscimo pequeno na tarifa paga.
Programa de pontos de banco: o mesmo gasto valendo o dobro
O programa de pontos do banco recebe o gasto do cartão e encaminha o saldo ao programa aéreo por transferência. O ganho não está no acúmulo, está na transferência bonificada, que multiplica o saldo antes da emissão.
Com bônus na faixa que os programas costumam divulgar, o mesmo mês de R$ 4.200 pode chegar ao programa aéreo com o dobro de milhas. O retorno sai de 1,16% e encosta em 2,3%.
A contrapartida é rigidez. Ponto transferido não volta, e o percentual vigente muda a cada rodada, sempre descrito na página oficial de transferências do programa.
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Cartão de crédito: 1,16% e a anuidade que exige R$ 60 mil por ano
O cartão é a fonte mais divulgada e a que menos rende por real gasto. Com 2 pontos por dólar e o câmbio da nossa premissa, R$ 4.200 viram 1.527 pontos, ou R$ 48,87. Sobre o gasto, 1,16%.
Agora entra a anuidade. Cartões com acúmulo relevante cobram na faixa de R$ 400 a R$ 1.200 por ano, valor que muda por banco e por categoria, e que consta no contrato do produto.
A R$ 700 de anuidade e 1,16% de retorno, o ponto de equilíbrio fica perto de R$ 60 mil de gasto anual, ou R$ 5.000 por mês. Abaixo desse volume, o cartão consome mais do que devolve.
Veredicto: comece pela ponta que ninguém divulga
Para quem gasta menos de R$ 5.000 por mês no cartão, a conta não fecha no acúmulo: R$ 700 de anuidade contra menos de R$ 590 de valor gerado ao longo de doze meses.
Para quem roteia compras já planejadas pela vitrine de parceiros sem pagar sobrepreço, a conta fecha com folga: 19,2% de retorno contra 1,16% do cartão puro, no mesmo real gasto.
A sequência prática inverte o hábito da maioria. Primeiro a vitrine de parceiros, depois o voo que você já faria, depois a transferência bonificada e só então a anuidade. Nós calculamos. Você decide.
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