Decisão · Transferência

Livelo Bradesco: quanto de gasto forma um milheiro no cartão

Brasil · Leitura de 5 minutos

Mapa dobrado sobre mesa azul profundo de superfície fosca, luz âmbar rasante de um lado e profundidade de campo curta

Ponto de cartão não nasce no programa de pontos. Ele nasce na fatura, fica um tempo em trânsito e só depois aparece do outro lado, disponível para transferir ou resgatar.

Entre a compra e o saldo utilizável existem três variáveis que decidem se o cartão vale a pena: quantos pontos cada real gera, quanto tempo o crédito demora e quanto o contrato deixa você acumular por mês.

Nós resolvemos as três com números declarados, e a mais importante delas é a que quase ninguém calcula antes de escolher o cartão.

O trajeto do ponto entre a fatura e o programa parceiro

A pontuação é apurada sobre as compras que entram na fatura, convertidas em dólar pela regra escrita no contrato do cartão. O banco credita os pontos na conta do programa parceiro depois do fechamento ou do pagamento da fatura, conforme o regulamento vigente do produto.

O ponto creditado passa a viver sob as regras do programa parceiro, não mais sob as do banco. Validade, teto de transferência e política de expiração pertencem ao programa e estão no regulamento publicado por ele.

A Livelo nasceu como empresa conjunta de Bradesco e Banco do Brasil, conforme os comunicados de criação divulgados pelos dois bancos. Na prática, o cartão é a fonte e o programa é o reservatório de onde os pontos saem para as companhias aéreas.

A conta que interessa: R$ 2.455 de gasto por milheiro

Premissa declarada e ilustrativa: um cartão que pontua 2,2 pontos por dólar, com o dólar de conversão a R$ 5,40 no período. A pontuação por dólar dos cartões brasileiros circula numa faixa ampla, de cerca de 1 a 2,5 pontos, a faixa se move com o tempo e a régua vigente de cada produto está publicada no site do banco.

Cada real gasto vira 2,2 divididos por 5,40, ou 0,41 ponto. Para formar mil pontos, você precisa passar R$ 2.455 na fatura.

Troque a pontuação e a conta muda de patamar. Um cartão de 1,2 ponto por dólar gera 0,22 ponto por real, e o milheiro passa a exigir R$ 4.500 de gasto. O mesmo consumo, no cartão de régua menor, forma menos da metade do saldo.

Guarde o número em reais, não em pontos. Saldo de 60.000 pontos impressiona no aplicativo; os R$ 147.000 de fatura necessários para formá-lo explicam por que ele demorou tanto.

O prazo de crédito e o efeito dele na sua emissão

O crédito não é instantâneo. O contrato define o momento em que os pontos entram, em geral atrelado ao fechamento ou ao pagamento da fatura, e o prazo varia por banco e por produto.

Some ao prazo do crédito o prazo da transferência para a companhia aérea, que tem régua própria e também varia. Entre a compra no cartão e o ponto utilizável na emissão, o intervalo pode passar de um mês.

A consequência prática atinge quem transfere durante campanha de bônus. Se o ponto ainda não caiu quando a campanha fecha, a bonificação não se aplica ao saldo que chegou depois. Quem depende de bônus precisa contar o calendário de trás para frente, com o prazo do regulamento vigente na mão.

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Teto mensal: o limite que o contrato do cartão fixa

Parte dos cartões limita quantos pontos podem ser acumulados por mês ou por ciclo de fatura. Passado o teto, a compra continua entrando na fatura e para de gerar ponto.

O teto castiga principalmente quem concentra gasto alto em um cartão só, como quem paga fornecedor ou despesa de empresa no plástico pessoal. O limite está no regulamento do cartão, publicado no site do banco, e é revisado sem aviso individual.

Quem bate no teto com frequência tem duas saídas dentro das regras: dividir o gasto entre cartões de programas diferentes ou subir para uma versão com teto maior, comparando o custo da anuidade com o ponto extra que ela libera.

Bônus de transferência: o multiplicador que muda a régua

O bônus não muda quanto você gasta para formar o ponto. Ele muda quanto o ponto vale ao chegar do outro lado. Uma campanha que multiplica o saldo transferido reduz, na mesma proporção, o gasto necessário para formar cada milheiro no destino.

Percentual, prazo e teto de cada campanha ficam no regulamento publicado pelo programa, e a faixa praticada se move ao longo do ano. Trate qualquer número que você leia em fórum como indicativo e confira na fonte antes de transferir o saldo.

Veredicto: o gasto que forma o milheiro

Na nossa premissa, R$ 2.455 de fatura formam um milheiro. Se a emissão que você faria devolve um milheiro na faixa indicativa de R$ 28 a R$ 44, o retorno do programa fica entre 1,1% e 1,8% do que você gastou no cartão.

O percentual é modesto por natureza, e a decisão precisa ser fria por causa dele. A conta fecha quando o gasto já existiria de qualquer forma, e deixa de fechar no momento em que a despesa é criada para gerar ponto: R$ 2.455 de compra desnecessária devolvem cerca de R$ 36 em milheiro.

Antes de trocar de cartão, calcule o seu gasto por milheiro com a régua do seu contrato, usando a fatura do último trimestre. Nós calculamos. Você decide.

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