Decisão · Transferência

Livelo Bradesco: quanto de gasto forma um milheiro no cartão

Por Redação Farol das Milhas · Brasil · Leitura de 11 minutos

Mapa dobrado sobre mesa azul profundo de superfície fosca, luz âmbar rasante de um lado e profundidade de campo curta

Ponto de cartão não nasce no programa de pontos. Ele nasce na fatura, fica um tempo em trânsito e só depois aparece do outro lado, disponível para transferir ou resgatar.

Entre a compra e o saldo utilizável existem três variáveis que decidem se o cartão vale a pena: quantos pontos cada real gera, quanto tempo o crédito demora e quanto o contrato deixa você acumular por mês.

Nós resolvemos as três com números declarados, e a mais importante delas é a que quase ninguém calcula antes de escolher o cartão.

O trajeto do ponto entre a fatura e o programa parceiro

A pontuação é apurada sobre as compras que entram na fatura, convertidas em dólar pela regra escrita no contrato do cartão. O banco credita os pontos na conta do programa parceiro depois do fechamento ou do pagamento da fatura, conforme o regulamento vigente do produto.

O ponto creditado passa a viver sob as regras do programa parceiro, não mais sob as do banco. Validade, teto de transferência e política de expiração pertencem ao programa e estão no regulamento publicado por ele.

A Livelo nasceu como empresa conjunta de Bradesco e Banco do Brasil, conforme os comunicados de criação divulgados pelos dois bancos. Na prática, o cartão é a fonte e o programa é o reservatório de onde os pontos saem para as companhias aéreas.

A conta que interessa: R$ 2.455 de gasto por milheiro

Premissa declarada e ilustrativa: um cartão que pontua 2,2 pontos por dólar, com o dólar de conversão a R$ 5,40 no período. A pontuação por dólar dos cartões brasileiros circula numa faixa ampla, de cerca de 1 a 2,5 pontos, a faixa se move com o tempo e a régua vigente de cada produto está publicada no site do banco.

Cada real gasto vira 2,2 divididos por 5,40, ou 0,41 ponto. Para formar mil pontos, você precisa passar R$ 2.455 na fatura.

Troque a pontuação e a conta muda de patamar. Um cartão de 1,2 ponto por dólar gera 0,22 ponto por real, e o milheiro passa a exigir R$ 4.500 de gasto. O mesmo consumo, no cartão de régua menor, forma menos da metade do saldo.

Guarde o número em reais, não em pontos. Saldo de 60.000 pontos impressiona no aplicativo; os R$ 147.000 de fatura necessários para formá-lo explicam por que ele demorou tanto.

O prazo de crédito e o efeito dele na sua emissão

O crédito não é instantâneo. O contrato define o momento em que os pontos entram, em geral atrelado ao fechamento ou ao pagamento da fatura, e o prazo varia por banco e por produto.

Some ao prazo do crédito o prazo da transferência para a companhia aérea, que tem régua própria e também varia. Entre a compra no cartão e o ponto utilizável na emissão, o intervalo pode passar de um mês.

A consequência prática atinge quem transfere durante campanha de bônus. Se o ponto ainda não caiu quando a campanha fecha, a bonificação não se aplica ao saldo que chegou depois. Quem depende de bônus precisa contar o calendário de trás para frente, com o prazo do regulamento vigente na mão.

A newsletter Farol das Milhas está em preparação

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.

Teto mensal: o limite que o contrato do cartão fixa

Parte dos cartões limita quantos pontos podem ser acumulados por mês ou por ciclo de fatura. Passado o teto, a compra continua entrando na fatura e para de gerar ponto.

O teto castiga principalmente quem concentra gasto alto em um cartão só, como quem paga fornecedor ou despesa de empresa no plástico pessoal. O limite está no regulamento do cartão, publicado no site do banco, e é revisado sem aviso individual.

Quem bate no teto com frequência tem duas saídas dentro das regras: dividir o gasto entre cartões de programas diferentes ou subir para uma versão com teto maior, comparando o custo da anuidade com o ponto extra que ela libera.

Bônus de transferência: o multiplicador que muda a régua

O bônus não muda quanto você gasta para formar o ponto. Ele muda quanto o ponto vale ao chegar do outro lado. Uma campanha que multiplica o saldo transferido reduz, na mesma proporção, o gasto necessário para formar cada milheiro no destino.

Percentual, prazo e teto de cada campanha ficam no regulamento publicado pelo programa, e a faixa praticada se move ao longo do ano. Trate qualquer número que você leia em fórum como indicativo e confira na fonte antes de transferir o saldo.

Os gastos que não pontuam, e o efeito na sua régua

A conta de R$ 2.455 por milheiro parte de uma premissa silenciosa: que toda a fatura pontua. Na prática, a maioria dos contratos exclui categorias inteiras, e a régua real de quem paga muita coisa pelo cartão é pior que a calculada.

As exclusões mais comuns são pagamento de boleto e de contas de consumo, tributos e taxas públicas, transferências e envio de dinheiro entre pessoas, saques, compra de moeda estrangeira e recarga de celular pré-pago. Alguns contratos ainda excluem transações em determinados ramos de atividade, identificados pelo código do estabelecimento.

O ajuste é direto. Pegue a fatura do último trimestre, some apenas o que pontua conforme o contrato, e refaça a divisão. Uma fatura de R$ 6.000 em que R$ 1.800 são boletos e tributos pontua sobre R$ 4.200, e o gasto necessário por milheiro sobe na mesma proporção.

Existe ainda um caso que costuma passar despercebido: a compra parcelada. Em boa parte dos produtos, a pontuação ocorre sobre o valor total no mês da compra, mas em alguns ela acompanha a parcela, o que muda o momento do crédito e pode empurrar parte dos pontos para depois do fim de uma campanha de bônus.

Confirmar as três informações no contrato, a lista de exclusões, o tratamento do parcelado e a existência de teto, leva quinze minutos e muda a comparação entre dois cartões mais do que a diferença de pontuação anunciada.

As outras torneiras do programa parceiro

O cartão é a fonte mais volumosa, e não é a única. O programa de pontos tem outras entradas, com réguas melhores por real gasto.

O portal de compras é a mais rentável. Comprar em loja parceira pela página do programa credita pontos por real, com multiplicadores que costumam ser muito superiores aos do cartão. A armadilha é o preço: se a loja parceira cobra mais caro que a concorrente, o sobrepreço come o ganho antes que ele exista. Compare o preço final primeiro, o multiplicador depois.

Os parceiros diretos formam a segunda entrada: assinaturas, seguros, serviços de streaming e operadoras que creditam pontos na adesão ou a cada mensalidade. Vale cadastrar o número do programa em serviços que você já paga, porque o crédito é retroativo apenas em campanhas específicas.

A compra de pontos avulsa é a terceira, e é a mais cara. Ela só faz sentido para completar um saldo com emissão já escolhida, e a conta precisa comparar o custo do milheiro comprado com o valor de uso da emissão pretendida, incluindo a bonificação de transferência disponível no momento.

A quarta entrada é a promoção de acúmulo do próprio programa, que multiplica pontos de compras feitas em determinado período. Como ela é temporária e anunciada com pouca antecedência, o ganho vai para quem já tinha uma compra planejada, e não para quem antecipa consumo por causa da campanha.

Linha do tempo dos programas de pontos no Brasil

  1. 1994A Varig lança o Smiles, primeiro programa de milhas de uma companhia aérea brasileira.
  2. 2009A TAM cria a Multiplus como empresa de fidelidade com capital próprio, e a Azul lança o TudoAzul, movimento que separou a fidelidade da operação aérea.
  3. 2013O Smiles é constituído como empresa de capital aberto, com ações negociadas em bolsa.
  4. 2016Banco do Brasil e Bradesco criam a Livelo como empresa conjunta de pontos, e a coalizão bancária ganha escala no país.
  5. 2020A Latam comunica a saída da aliança Oneworld e passa a operar sua rede de resgates por acordos bilaterais.
  6. 2021A Gol conclui a reincorporação do Smiles, e a fidelidade volta a operar dentro da estrutura da companhia aérea.

Veredicto: o gasto que forma o milheiro

Na nossa premissa, R$ 2.455 de fatura formam um milheiro. Se a emissão que você faria devolve um milheiro na faixa indicativa de R$ 28 a R$ 44, o retorno do programa fica entre 1,1% e 1,8% do que você gastou no cartão.

O percentual é modesto por natureza, e a decisão precisa ser fria por causa dele. A conta fecha quando o gasto já existiria de qualquer forma, e deixa de fechar no momento em que a despesa é criada para gerar ponto: R$ 2.455 de compra desnecessária devolvem cerca de R$ 36 em milheiro.

Antes de trocar de cartão, calcule o seu gasto por milheiro com a régua do seu contrato, usando a fatura do último trimestre. Nós calculamos. Você decide.

Perguntas frequentes

Quanto preciso gastar para juntar mil pontos?

Divida a pontuação por dólar do seu cartão pela taxa de conversão do contrato para achar os pontos por real, e depois divida mil por esse número. Na premissa deste texto, 2,2 pontos por dólar a R$ 5,40 geram 0,41 ponto por real, e o milheiro exige R$ 2.455 de fatura.

Quanto tempo demora para os pontos caírem?

Depende do contrato, e o crédito costuma estar atrelado ao fechamento ou ao pagamento da fatura. Some ainda o prazo da transferência para o programa aéreo. Entre a compra e o ponto utilizável na emissão, o intervalo pode passar de um mês, o que importa para quem depende de campanha de bônus com data de encerramento.

Existe limite de pontos por mês?

Parte dos cartões fixa teto por mês ou por ciclo de fatura, definido no regulamento do produto. Passado o teto, a compra continua entrando na fatura e para de gerar ponto. Quem bate no limite com frequência pode dividir o gasto entre cartões de programas diferentes ou avaliar uma versão com teto maior.

Todos os gastos do cartão pontuam?

Não. Pagamento de boleto e contas de consumo, tributos, transferências, saques, compra de moeda estrangeira e recarga pré-paga costumam ficar de fora, em maior ou menor grau conforme o contrato. Refazer a régua com o gasto que efetivamente pontua muda bastante a comparação entre dois cartões.

Qual o retorno real do programa de pontos?

Na nossa premissa, entre 1,1% e 1,8% do gasto, considerando um milheiro emitido na faixa de R$ 28 a R$ 44. É um percentual modesto por natureza, e a consequência prática é uma só: o programa compensa sobre o gasto que já existiria, e destrói valor sobre a despesa criada para gerar ponto.

O bônus de transferência muda quanto eu preciso gastar?

Não muda o gasto para formar o ponto, muda o valor dele no destino. Uma campanha que multiplica o saldo transferido reduz na mesma proporção o gasto necessário por milheiro na companhia aérea. Percentual, prazo e teto estão no regulamento publicado pelo programa.

Compra parcelada pontua no mês da compra?

Depende do produto. Em boa parte deles a pontuação incide sobre o valor total no mês da compra, e em alguns ela acompanha cada parcela. A diferença muda o momento do crédito e pode empurrar parte dos pontos para depois do fim de uma campanha de bônus.

Vale mais a pena acumular no cartão ou no portal de compras?

No portal, com folga, quando o preço da loja parceira for competitivo. Os multiplicadores por real gasto são muito superiores aos do cartão. O cuidado é o sobrepreço: uma loja que cobra 10% a mais consome o ganho inteiro antes que ele apareça no extrato.

Farol das Milhas está chegando

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.