Decisão · Venda
Vender milhas: quanto vale o seu milheiro e quando a venda compensa
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
Vender milhas parece a saída rápida para transformar pontos parados em dinheiro. A oferta chega no aplicativo, o depósito cai em poucos dias, a decisão se resolve em minutos.
Quase ninguém, porém, compara o preço recebido com o valor da mesma milha numa emissão. O termo designa a troca de milhas por passagem dentro do próprio programa. Nós fazemos a comparação dos dois lados, com a conta aberta.
Um aviso antes dos números: os regulamentos dos grandes programas brasileiros vedam a comercialização de milhas. O tamanho do risco tem seção própria mais adiante.
Quanto vale a milha emitida: a conta em três passos
O valor de uma milha só existe em comparação com a passagem que ela substitui. A conta tem três passos, e você consegue refazer com os números da sua rota.
Nossa premissa, declarada e ilustrativa: uma passagem de ida e volta vendida a R$ 1.680 em dinheiro, com R$ 120 de taxa de embarque, e a mesma viagem emitida por 40.000 milhas mais a taxa.
Passo um: subtraia a taxa da tarifa, porque a taxa você paga nas duas hipóteses. Sobram R$ 1.560. Passo dois: divida o resultado pelas milhas da emissão. R$ 1.560 divididos por 40.000 dão R$ 0,039 por milha. Passo três: multiplique por mil, a unidade que o mercado chama de milheiro. Nessa emissão, o seu milheiro vale R$ 39.
A premissa muda de rota para rota, e o resultado acompanha. Emissão internacional costuma render milheiro mais alto; trecho doméstico comprado com antecedência, mais baixo. Refaça a conta com a tarifa e a taxa da passagem que você emitiria de verdade.
A faixa que a compradora paga e os três fatores que a movem
Plataformas que compram milhas trabalham com faixa, nunca com preço fixo. Em termos indicativos, o milheiro dos grandes programas brasileiros circula entre R$ 14 e R$ 22. As tabelas públicas dessas plataformas mostram a faixa se movendo semana a semana.
Três fatores explicam o movimento. O programa de origem, porque cada programa tem demanda e regra de emissão próprias. O destino da emissão pretendida, porque rota internacional rende mais que trecho doméstico curto. E o prazo de recebimento: quem aceita receber em 60 ou 90 dias vê oferta maior que quem pede à vista.
Guarde a mecânica, não a cotação. O número do dia envelhece em uma semana. A distância entre a faixa e o valor de emissão é o que decide.
O custo de oportunidade: R$ 840 deixados na mesa
Compare os dois lados da nossa premissa. Emitida, a milha vale R$ 39 por milheiro. Vendida no meio da faixa indicativa, a R$ 18, rende menos da metade.
Em 40.000 milhas, a diferença é concreta: R$ 720 recebidos na venda contra R$ 1.560 de tarifa coberta na emissão. São R$ 840 que ficam com o intermediário e com o comprador final, não com você.
Existe um caso em que a lógica inverte, e ele é comum: a milha perto de vencer sem nenhuma viagem no horizonte. Os programas expiram pontos por prazo de validade. As regras variam por programa e por categoria de cliente, e estão descritas no regulamento de cada um. Milha vencida vale zero, e qualquer ponto da faixa supera o zero.
Antes de aceitar o vencimento como fim da linha, abra o catálogo do próprio programa. Emissão para pessoa próxima e resgate em itens do catálogo são usos previstos em regulamento. Compare o valor de cada um com a faixa de venda antes de decidir.
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O risco que está escrito no regulamento
O mercado de compra de milhas existe e opera abertamente. O regulamento dos programas, porém, não o autoriza. Os termos de uso publicados por Smiles, Latam Pass e TudoAzul vedam a comercialização de milhas. A mesma vedação alcança a emissão remunerada para terceiro sem vínculo com o titular.
As sanções previstas nesses documentos vão do cancelamento das milhas ao encerramento da conta. Bilhete emitido em desacordo com as regras também pode ser cancelado, segundo os mesmos termos. Na prática, o passageiro pode saber do cancelamento no aeroporto, com a viagem paga e o saldo perdido.
Os regulamentos também reservam aos programas o direito de auditar contas e padrões de emissão. Ninguém fora dos programas conhece o gatilho exato, e a régua pode mudar sem aviso. Leia o regulamento vigente do seu programa, no site oficial, antes de qualquer decisão.
O risco não entra na calculadora, mas entra na decisão. Um milheiro vendido a R$ 18 com a conta bloqueada custa o saldo inteiro que ficou dentro dela.
Veredicto: a régua dos R$ 39
Milha com destino provável nos próximos meses: emitir preserva R$ 39 por milheiro na nossa premissa, e vender rende R$ 18 no meio da faixa. A conta não fecha: você entrega mais da metade do valor.
Milha a poucas semanas do vencimento, sem viagem marcada e sem uso melhor no catálogo: qualquer valor entre R$ 14 e R$ 22 supera o zero da expiração. A conta fecha, e apenas nesse caso ela fecha.
Entre um extremo e outro, some o risco do regulamento à matemática. Venda de milhas é gestão de exceção, não fonte de renda. Nós calculamos. Você decide.
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