Decisão · Cálculo
Passagens com milhas: o que a taxa come do seu ganho
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
A emissão por milhas raramente sai sem desembolso. Existe uma taxa a pagar, existe um assento de prêmio a encontrar e existe uma tarifa em dinheiro correndo em paralelo, subindo e caindo todo dia.
Nós tratamos a emissão como uma compra comum: preço contra preço, com o mesmo produto dos dois lados. O que move o resultado é a rota, não a milha.
Premissa declarada e ilustrativa deste texto: um trecho doméstico vendido a R$ 780 em dinheiro, com R$ 74 de taxa de embarque, e a mesma poltrona emitida por 26.000 milhas mais a taxa.
O trecho doméstico barato devolve R$ 27,15 o milheiro
Descontada a taxa, que você paga nas duas hipóteses, sobram R$ 706 para 26.000 milhas: o milheiro da emissão vale R$ 27,15.
O número diz mais sobre a tarifa do que sobre a milha. Trecho curto comprado com antecedência é justamente o tipo de passagem que o dinheiro compra barato, e a tabela de resgate do programa não acompanha a queda na mesma velocidade.
Quando a tarifa em dinheiro cai e a tabela de milhas fica parada, o milheiro da emissão desaba. A milha não perdeu valor, a alternativa é que ficou melhor.
Repita a conta com a tarifa que aparece na sua busca no dia da decisão. Passagem de véspera e passagem comprada com três meses de antecedência produzem milheiros bem diferentes para a mesma poltrona.
A taxa pesa mais quando a tarifa é pequena
Na nossa premissa, R$ 74 representam quase 10% da tarifa. Numa emissão o desembolso em dinheiro não chega a zero: você paga a taxa e ainda entrega as 26.000 milhas.
O peso muda na emissão internacional. Além da taxa de embarque, os programas repassam cobranças descritas na própria tela de emissão, e o total pode alcançar algumas centenas de reais.
Confira o valor exato na tela antes de confirmar. O regulamento de cada programa descreve o que compõe a cobrança, e o número aparece antes do pagamento, nunca depois.
A consequência é direta: quanto menor a tarifa, maior a fatia do desembolso que a milha não cobre. Em passagem barata, a emissão economiza pouco e consome muito saldo.
A mesma conta numa emissão internacional dá R$ 56,56
Troque a premissa por um trecho longo: tarifa de R$ 5.400 em dinheiro, R$ 310 de taxa e emissão por 90.000 milhas. Sobram R$ 5.090 para 90.000 milhas, ou R$ 56,56 o milheiro.
O contraste com os R$ 27,15 do trecho doméstico é o argumento inteiro deste texto. A mesma milha vale o dobro conforme a passagem que ela substitui.
Guardar saldo para rota longa é decisão de alocação, não questão de sorte. Quem emite o trecho de R$ 780 com milha entrega metade do valor que o mesmo saldo entregaria adiante.
O efeito reaparece dentro de uma rota só. Cabine executiva costuma exigir mais milhas que a econômica, e a tarifa em dinheiro costuma subir numa proporção maior ainda, o que empurra o milheiro da emissão para cima.
Assento de prêmio não é assento do voo
Cada voo tem um número limitado de poltronas liberadas para emissão por milhas, definido pelo programa e alterado sem aviso, conforme os regulamentos publicados.
A consequência prática é dura. O voo aparece com assentos à venda em dinheiro e sem nenhuma opção de prêmio na mesma data. A conta que você fez de manhã vale para um voo que a milha não alcança.
Quando o inventário aperta, o programa costuma oferecer duas saídas: uma emissão com mais milhas na mesma data ou a combinação de milhas com dinheiro. As duas mudam a conta e precisam ser recalculadas com os números da tela.
A ordem que funciona é conferir a disponibilidade antes de qualquer conta. Assento primeiro, calculadora depois, porque o melhor número do mundo não emite bilhete numa data sem estoque de prêmio.
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Três situações em que o dinheiro ganha
- Tarifa doméstica promocional. Abaixo de certo preço, o milheiro da emissão cai tanto que quase qualquer outro uso do saldo rende mais.
- Saldo incompleto. Se faltam milhas e completar exige compra de pontos, some o custo da compra à conta antes de comparar com a tarifa.
- Data rígida. Sem assento de prêmio na data que você precisa, a emissão simplesmente não existe, e a comparação termina antes de começar.
Nas três, o erro comum é o mesmo: tratar a milha como dinheiro guardado. Milha é crédito dentro de um sistema com estoque, tabela e prazo, todos sob controle do programa.
Existe um segundo erro frequente, o de comparar a emissão com a tarifa mais cara que apareceu na busca. Compare com a tarifa que você realmente pagaria, no voo e no horário que você aceitaria de fato.
Veredicto: a milha tem rota, não tem preço
No trecho doméstico da nossa premissa, a conta não fecha: R$ 27,15 por milheiro é pouco para gastar um saldo que a rota longa remunera a R$ 56,56.
Na emissão internacional, com assento confirmado e a taxa somada antes da decisão, a conta fecha com margem confortável sobre o mesmo saldo.
Antes de emitir, compare o milheiro da emissão que está na sua frente com o milheiro da melhor emissão que você faria nos próximos doze meses. Nós calculamos. Você decide.
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