Decisão · Compra
Comprar milhas Latam: a conta contra a tarifa em dinheiro
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
Comprar milhas é uma operação de mão única: você troca dinheiro certo hoje por um saldo que só vira viagem depois. O programa vende o milheiro, o site parcela, a compra fecha em dois minutos.
O erro aparece antes do preço. Muita gente compra saldo sem destino, sem data e sem tarifa de referência, e descobre no resgate que a passagem em dinheiro sairia mais barata. Nós colocamos os dois números lado a lado.
A regra que organiza a decisão cabe numa linha: comprar milhas é operação de fechamento, não de estoque. Ela entra quando a viagem já existe no calendário.
O preço do milheiro comprado e o que move a faixa
Os programas vendem milhas em faixa, e a faixa muda de uma semana para a outra. No programa da Latam, o milheiro comprado sem bonificação circula em torno de R$ 30 a R$ 45, ordem de grandeza indicativa que a própria tabela de compra atualiza com frequência.
Campanhas de bônus mexem no custo efetivo. Um bônus de 60 por cento sobre o volume adquirido entrega 1.600 milhas para cada mil compradas, e o preço por milheiro recebido cai para pouco mais de 60 por cento do valor de tabela.
Percentual de bônus, teto de compra por período e prazo de crédito do saldo mudam a cada campanha. Trate toda oferta como caso isolado e confira o regulamento vigente na página de compra antes de confirmar o pedido.
O confronto em um trecho doméstico de R$ 940
Nossa premissa é declarada e ilustrativa: uma ida e volta doméstica vendida a R$ 940 em dinheiro, com R$ 88 de taxa de embarque, e a mesma viagem disponível por 32.000 milhas mais a taxa.
O valor da milha nessa emissão sai direto: R$ 940 menos R$ 88 de taxa dão R$ 852 de tarifa pura, que divididos por 32.000 milhas e multiplicados por mil colocam o milheiro emitido em R$ 26,63.
Agora o outro lado. Comprando o mesmo saldo a R$ 30 o milheiro, o piso da faixa indicativa, as 32.000 milhas custam R$ 960. Some a taxa de embarque de R$ 88 e o desembolso chega a R$ 1.048 contra os R$ 940 do cartão. A conta não fecha: você pagou R$ 108 a mais para viajar exatamente igual.
O resultado não depende de gosto nem de sorte. Sempre que o milheiro comprado custa mais que o milheiro da emissão pretendida, a compra perde da tarifa em dinheiro.
Onde a compra vira vantagem: a emissão longa
Inverta a rota e o sinal muda. Segunda premissa, também ilustrativa: um trecho internacional de alta temporada vendido a R$ 4.600 em dinheiro, com R$ 320 de taxas, emitido por 95.000 milhas mais as mesmas taxas.
A tarifa pura de R$ 4.280 dividida pelas 95.000 milhas coloca o milheiro emitido em R$ 45,05. Comprando as 95.000 milhas a R$ 30 o milheiro, o saldo custa R$ 2.850, e com as taxas o total fica em R$ 3.170 contra R$ 4.600. A conta fecha, com R$ 1.430 de diferença a favor da compra.
A distância entre as duas premissas explica a regra prática. Trecho doméstico barato tem milheiro de emissão baixo e quase nunca justifica compra. Passagem cara, alta temporada e classe superior puxam o milheiro de emissão para cima e abrem a janela.
Note que as duas contas usam o mesmo preço de compra. O que mudou foi a tarifa que a milha substitui, e ela é a variável que você precisa levantar antes de gastar qualquer valor.
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Três checagens antes de confirmar a compra
Primeiro, disponibilidade. Milha comprada só serve se existir assento de resgate na data pretendida. Verifique a disponibilidade no calendário do programa antes de comprar, nunca depois, porque saldo creditado não volta a ser dinheiro.
Segundo, o total contra o total. Compare desembolso completo dos dois lados: milhas mais taxas de um lado, tarifa mais taxas do outro. Comparar preço de milheiro sem incluir a parte em dinheiro do resgate distorce o resultado a favor da compra.
Terceiro, a regra de validade. O saldo comprado entra na conta sujeito às regras de expiração descritas no regulamento do programa, que variam por categoria de cliente e por origem do crédito. Milha parada tem prazo, e prazo vencido zera o valor pago.
Veredicto: destino e data primeiro, milhas depois
Com a viagem já definida, a compra vira uma conta de duas linhas: preço do milheiro comprado contra valor do milheiro na emissão. Se o primeiro for menor, avance. Se for maior, pague a tarifa em dinheiro e guarde o dinheiro da compra.
Sem destino, sem data e sem tarifa de referência, comprar saldo é apostar em um preço futuro que ninguém controla. A quantidade de milhas pedida em cada voo é decisão comercial da companhia, e ela muda sem aviso, com o seu estoque parado dentro do programa.
Refaça a conta com a sua rota antes de qualquer compra. A premissa aqui é ilustrativa; a tarifa que decide é a da passagem que você emitiria de verdade. Nós calculamos. Você decide.
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